Imigrar para o Canadá  é um processo muitas vezes lento e complexo. E se você pretende continuar exercendo a mesma atividade de sua formação universitária no Brasil pode ter mais trabalho ainda. Para atuar em determinadas áreas não basta simplesmente fazer a sua “credencial assessment” (validação de diploma). 

Antes de tudo você precisa descobrir se a sua sua profissão é regulamentada.

Em caso positivo, muitas vezes é preciso que você faça um curso revalidação e uma prova de conhecimentos específicos.  Algumas ocupações são regulamentadas exatamente para proteger a saúde e a segurança do público. Cada área tem a sua particularidade e a sua experiência profissional, é claro, será levada em conta sempre.

🎯 Profissões regulamentadas

Clique neste link para descobrir se a sua área de atuação é regulamentada. Ao entrar no site, digite a profissão ou o NOC ( National Occupation Classification) que nada mais é que código que representa a sua profissão. O NOC você encontra aqui.  A maioria dessas ocupações se dá nas áreas de medicina, odontologia, construção e serviços pessoais (por exemplo: enfermeiros, contadores, advogados, dentistas, veterinários, eletricistas e encanadores). O processo de validação para trabalhar no Canadá também pode variar de uma província para outra. Assim, é  importante você descobrir a entidade reguladora da sua área no local que pretende morar. 

🎯 Profissões não regulamentadas

Uma profissão não regulamentada não exige que você tenha uma licença, certificado ou registro para começar a trabalhar. A maioria das ocupações se enquadra nessa categoria e algumas até permitem que você faça seu registro numa entidade profissional ou associação voluntariamente.

  Validação de Diploma  – ECA Educational Credencial Assessment: Clique aqui e veja todas as instituições que fazem a equiparação das credenciais de estudo. 

Salários

Todo trabalhador canadense tem o direito de receber o salário “mínimo” da província em que trabalha. Essa lei existe em todas as províncias e territórios e faz parte da legislação trabalhista do país. É o menor valor por hora que os empregadores devem pagar aos funcionários cobertos pelos estatutos.  O salário mínimo médio no Canadá é de cerca de CAD$11,43 por hora. Se compararmos aos CAD$9,25 de 2010, houve um aumento de mais de 23%. Atualmente, Nunavut tem a maior taxa mínima (CAD$ 13,00/h) e Terra Nova e Labrador a menor (CAD$ 10.50/hr).

Anualmente cada província e território revê o seu salário. Fatores como inflação, desemprego e desenvolvimento  são levados em consideração na hora de definir os valores.  Em todo o Canadá, existe cerca de 1,25 milhão de pessoas ganhando salário mínimo, ou cerca de 8% dos 15,3 milhões de assalariados do país. Quase 60% dos assalariados são jovens de 15 a 24 anos e boa parte deles ainda vive com a família. As mulheres estão desproporcionalmente representadas nos empregos com baixos salários, já que um terço das mulheres ganha menos de CAD$15/h, contra apenas 22% dos homens.

Fontes: Monster.ca / Statistics Canada

💡 O  governo canadense disponibiliza em seu site uma área chamada Explore Carrers onde você pode verificar as vagas de trabalhos disponíveis, assim como as médias salariais por província, entre outros. Clique aqui e confira. 

O recomeço

O importante é estar aberto para, também, se reinventar. Mudar completamente de área. E essa mudança, por questões óbvias, é difícil para a maioria das pessoas, mas faz parte do pacote imigração. O segredo é aprender a recuar e estar aberto a recomeçar do zero. A maioria das pessoas  que chegaram aqui com o topete em pé não foram muito longe. Se no Brasil você é reconhecido e ostenta um certo status pela sua posição profissional, é importante estar preparado para descer do salto.

Você entrará num mercado que raramente começará por cima.  Todos profissionais brasileiros de sucesso que conheço  passaram trabalho e estudaram muito. Você precisa entender como funciona o “modus operandi” canadense:  aprender como eles se relacionam, se comunicam e se respeitam profissionalmente. Conversei com brasileiros que atuam em diferentes áreas, em todo país, sobre esse processo de recolocação no mercado de trabalho.  Confira abaixo o que cada um tem dizer e aconselhar sobre assunto.

 

 


Nome:
Camille Machado

♦ Do Rio de Janeiro (RJ) para Mississauga (ON) ♦

Área de atuação/formação: Sou formada em nutrição pela faculdade Metodista Bennett do Rio de Janeiro. Aqui no Canada fiz a faculdade para nutricionistas internacionais, programa oferecido pela Ryerson, em Toronto.  Também sou CDE (Canadian Diabetes Educator) que é uma certificação nacional para trabalhar com diabetes.

Experiência no Brasil: Trabalhei como nutricionista na área de produção, por quatro anos, em Joinville e Florianópolis. Era responsável por planejar, administrar e coordenar os processos de produção de refeições de empresas como Embraco, Tigre e Multibras.
Situação no país: Viemos para o Canada como residentes permanentes e hoje temos a cidadania Canadense.

Quanto tempo de Canadá ?  Completo 8 anos em março desse ano.

Motivo da vinda pra cá:  Eu e meu marido saímos do Rio de Janeiro por causa da violência. Moramos por seis anos em Santa Catarina. Viemos visitar amigos em 2006 e gostamos muito da qualidade de vida por aqui. De volta ao Brasil, decidimos entrar com o processo para residente permanente.  

Foi fácil validar o diploma ? Não. Primeiro, tive que fazer uma prova escrita, oral e uma simulação de atendimento ao paciente para ser aceita no programa da Ryerson. Tive que estudar por nove meses em sala de aula e rever todo conteúdo que aprendi em quatro anos no Brasil, só que em inglês. Além disso, tive que fazer estágio em três áreas e depois de todo esse processo, fazer meu portfólio para ser aceita pelo College of Dietitians of Ontario (CDO), que é uma espécie de conselho de nutricionistas daqui. Após ter o meu portfólio aprovado pelo CDO, tive que fazer a prova de conhecimento de nutrição (nada fácil novamente, seis horas de prova) para atuar na área.

Qual a maior dificuldade para atuar na sua área ? Eu diria que seria a falta da “tal” experiência Canadense. Muitas vezes, temos profissionais nutricionistas que vem pra cá com anos de trabalho nos seus países, mas quando chegam aqui, essa experiência não é considerada na busca do emprego. Então, no fim das contas, somos considerados como entry level (recém graduados).

Alguma situação constrangedora ou engraçada que você passou no início ? Como aqui temos pessoas de diferentes nacionalidades, ás vezes eu ficava constrangida, pois não entendia quase nada dos costumes e comidas da maioria dos meus pacientes. Mas em seis meses eu consegui aprender e entender tudo.

» Qual a sugestão  para quem pensa em atuar como nutricionista no Canadá ?
Sugiro, primeiramente, entrar em contato com o College of Dietitians da sua província para ver qual é o processo de validação de diploma no local. Todo ano eles mudam alguma coisa, então essa seria a forma mais indicada. Também é preciso esquecer da sua experiência no Brasil e estar disposto a recomeçar tudo novamente como estudante, além dee correr atrás da tal experiência Canadense. Também aconselho sempre: faça trabalhos voluntários.

No meu caso, o que me ajudou muito foi trabalho voluntário. Quando eu estava na faculdade, fiz um trabalho para o programa de prevenção de diabetes de um centro comunitário de saúde, em Toronto, chamado Unison Health and Community Services. Fiquei lá por três meses e tive que sair para poder estagiar na minha área. Um ano depois eles estavam precisando de uma nutricionista e me ligaram perguntando se eu já poderia atuar na área. Na época eu estava com a minha licença temporária. No final acabei conseguindo o emprego e estou trabalhando lá há quatro anos.«

IMPORTANTE: Clique aqui e veja a lista com as instituições (College of Dietitians) de todas províncias. Nutrição é uma profissão regulamentada no Canadá.  


Nome: Marzio Lorenzo 

♦ De Recife (PE) para Toronto (ON) ♦

Área de atuação/formação: Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo e pós-graduação em Relações Públicas.

Experiência no Brasil: Repórter e produtor de TV, Assessoria de Imprensa e Coordenador de Eventos.

Situação no Canadá: Cidadão.

Quanto tempo de Canadá ? 
18 anos.

Motivo da vinda para cá: Estudar inglês. 

Foi fácil validar o diploma ? Sim.

Qual a maior dificuldade para atuar na sua área ? Trabalho. Jornalismo está difícil em qualquer lugar do mundo, os empregos estão cada vez mais escassos.

Alguma situação constrangedora ou engraçada que você passou no início ? Coloquei minhas roupas na secadora e uma peça íntima ficou presa na parte interna da perna da minha calca. Vesti a calca, fui pro trabalho e ela continuou lá, presa. A tal “peça” caiu exatamente na sala de reunião, na frente da chefia. Ninguém entendeu como aquilo tinha ido parar em cima dos meus pés. Fui entender horas depois. Muita vergonha.

Qual a sugestão para quem quer na área de jornalismo no Canadá ?
» Jornalismo acho complicado, mas invista em Relações Públicas. Toda a empresa precisa. «

IMPORTANTE: A profissão de jornalista não é regulamentada no Canadá. O maior desafio é dominar 100% o idioma. Veja mais no site da Associação Canadense de Jornalistas.

                                                   

Nome: Rodolfo Carvalho.

♦ Do Rio de Janeiro para Woodstock (NB) ♦ Área de atuação/formaçãoEngenharia de Alimentos

Experiência no Brasil: Indústria de ingredientes para panificação na área de Pesquisa e Desenvolvimento.

Situação no Canadá: Cidadāo.

Quanto tempo de Canadá ?  Já são 9 anos.

Motivo da vinda para cá: Vários motivos: seguranca, qualidade de vida e oportunidades de crescimento pessoal e profissional.

 

Foi fácil validar o diploma ? Validar diploma de Engenheiro nāo é fácil, entretanto, no meu caso, para atuar no departamento de pesquisa e desenvolvimento nāo foi necessário. Continuei trabalhando no Canada na mesma empresa que já estava no Brasil. 

Qual a maior dificuldade em atuar na sua área? A maior dificuldade seria desenvolver o produto que o consumidor final gosta, para isso precisamos entender os hábitos e costumes do público alvo. O que pode ser bem diferentes do que estamos acostumados no Brasil.

Alguma situação constrangedora ou engraçada que você passou no início ? Me lembro que comentei com minha esposa, de manhā, que teria o meu primeiro jantar de negócios. Quando cheguei em casa às 7:00 pm e ela me recebeu na porta e  perguntou:  “O que aconteceu? O jantar foi cancelado?” Que nada, ja tinha acontecido e todos já tinham ido para suas casas para aproveitar o resto da noite com seus familiares. Esse foi o primeiro choque cultural na minha profissão.
Qual a sugestão para quem quer atuar na sua área no Canadá ?  
» 
Se adapte à cultura local ou à cultura da empresa que você for trabalhar. No meu ponto de vista esse seria o fator mais importante para ter sucesso na profissāo. Além disso, acredite nas suas experiências e qualificações trazidas do Brasil. O primeiro emprego pode nāo ser o ideal ou talvez você tenha que pular para um nível inferior ao que tinham Brasil. Mas o reconhecimento no trabalho costuma ser rápido quando excedemos as expectativas.«

 IMPORTANTE: A área de Engenharia é uma profissão regulamentada no Canadá.  Veja mais

 

Nome: Juliana Larocerie

♦ De Recife (PE) para London (ON) ♦

Área de atuação/formação: Terapeuta Ocupacional – Veja mais aqui. 

Situação no Canadá: Cidadã.

Quanto tempo de Canadá ? 14 anos

Motivo da vinda para cá: Estudos: mestrado/doutorado.

Foi fácil validar o diploma ? Não. Processo longo e caro. Mas totalmente válido. 

Qual a maior dificuldade em atuar na sua área ? Não senti muita dificuldade. A única barreira é passar pelo preconceito por ser formada em um país de terceiro mundo.

Alguma situação constrangedora ou engraçada que você passou no início ? Muitas pessoas me perguntavam de onde era. Quando dizia que era do Brasil, a primeira pergunta era: “Mas vc se formou aqui, nao foi ? Como que nao confiasse na minha formação brasileira. 

Qual a sugestão para quem quer atuar como terapeuta ocupacional no Canadá ?
»  
Faça a validação do diploma antes de vire pra cá. Aqui é necessário fazer alguns módulos de equivalência de currículo. Juntem dinheiro também, pois o processo é caro.«

 IMPORTANTE:  Terapia Ocupacional é uma profissão regulamentada no Canadá.  Veja mais

 

 

Nome: João Guedes
 
♦ De Londrina (PR) para Vancouver (BC) ♦
 
Área de atuação/formaçãoFotografia – 10 anos de experiência no Brasil.
 
Situação no Canadá: Residente Permanente.
 
Quanto tempo de Canadá ? Três anos.
 
Motivo da vinda para cá:  Imigrei com minha familia primeiramente para a província do Quebec e hoje moramos em Vancouver, British Columbia. Escolhemos o Canadá pela qualidade de vida e por ser muito um país multicultural.
 
Qual a maior dificuldade em atuar na sua área ? A maior dificuldade que encontrei no começo foi de networking. Começar numa profissão autônoma é bem difícil para um recém chegado. É preciso muita paciência e força de vontade para criar uma rede de contatos e aos poucos se integrar.
 
Alguma situação constrangedora ou engraçada que você passou no início ?   Nunca passei nenhuma situação constrangedora.
Qual a sugestão para quem quer atuar na sua área no Canadá? 
»Venha preparado para trabalhar em outras areas até se estabelecer como fotógrafo. É muito importante conhecer o mercado em que a pessoa quer trabalhar. E principalmente, trabalhar duro para estabelecer uma boa rede de contatos, o que é primordial na fotografia.«
IMPORTANTE: A área de Fotografia não é regulamentada no Canadá .  Veja mais
 
 

Nome: Wagner Cordeiro Janissetti

♦ De Blumenau (SC) para Regina (SK) ♦

Área de atuação/formaçãoSou formado em Sistemas de informação e possuo uma especialização em Gerenciamento de projetos em TI.

Experiência no Brasil: Atuei por aproximadamente 11 anos na área de desenvolvimento de software no Brasil. Atuei como desenvolvedor de software, analista de sistemas e analista de negócios.

Situação no Canadá: Residente permanente.

Quanto tempo de Canadá ? Quase dois anos. 

Motivo da vinda para cá:  Decidimos vir para cá para tentar um futuro melhor e mais oportunidades para mim e para minha esposa. Além disso, viemos em busca de uma maior segurança e estabilidade econômica. Estávamos prestes a começar nossa vida (com casa e tudo mais) no Brasil quando decidimos vir.

Foi fácil para validar o diploma ? No meu caso nada precisou ser validado. Eu apenas tive de fazer a equivalência do meu curso para fins de imigração. Após o processo de imigração nada precisou ser feito. Foi só procurar emprego. Mas é bom ficar atento, vi que isso tem mudado em algumas províncias, mesmo para a área de TI.

Qual a maior dificuldade em atuar na sua área por aqui? Atuando como desenvolvedor de software eu diria que a maior dificuldade, pelo menos para mim, foi a questão do idioma. Mesmo chegando ao Canada com um bom nível de inglês (CLB 8), você tem que sempre lembrar que não é fluente, essa não é sua língua nativa. Então, você não fala igual seus companheiros de trabalho.

Alguma situação constrangedora, engraçada que você passou no início ? Ah, várias. Diria que as mais corriqueiras são as que trocamos a pronúncia ou grafia das palavras.

Qual a sugestão para quem quer atuar na sua área no Canadá?  Esteja aberto para trabalhar com qualquer linguagem de programação. Existem regiões em que você acha emprego em qualquer linguagem (geralmente grandes cidades), mas n o interior do país a oferta de emprego, às vezes, não é tão ampla. Então, esteja ciente e preparado para isso.

 


Nome: Sandra Tedesco.

♦ De Sertão (RS) para Montreal (Quebec) ♦
 
Área de atuação/formação Bacharelado em Ciências Sociais com ênfase em antropologia – Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
 
Experiência no Brasil: Já trabalhei como técnica assistente em ciências sociais. Isso foi num projeto de estudo de impacto ambiental com comunidades indígenas guaranis, no litoral catarinense. Também fiz revisões de relatórios científicos e acadêmicos, como teses e dissertações.
 
Situação no Canadá: Residente Permanente.
 
Há quanto tempo você está por aqui ?  Estamos no Canadá desde agosto de 2015.
 
Motivo da vinda para cá: Viemos pela desilusão que sentíamos com a situação do nosso país. A violência cresce assustadoramente. Depois que nossa filha nasceu mudamos para o litoral de Santa Catarina pensando que estaríamos mais seguros numa cidade pequena. Mas ficamos decepcionados. Hoje a violência não se restringe as grandes cidades, ela está em todos os lugares. Outro motivo  foi a idade. Nós chegamos aos quarenta anos e sentíamos a necessidade de vivenciar novas experiências. Só poderíamos fazer isso morando no exterior, o que além de tudo nos proporcionaria o aperfeiçoamento do inglês e do francês. Também foi motivadora – na decisão de vir para o Canadá –  a possibilidade de oferecer para a nossa filha uma educação diferenciada e de qualidade.

Foi fácil para validar o diploma ? Nem tentei porque já vim pensando em mudar de área e me dedicar a minha paixão pela criação e costura.

Qual a maior dificuldade em atuar na sua área por aqui ? Acho que a maior dificuldade na minha área de formação é o domínio da língua falada pelas comunidades autóctones/ primeiras nações ( first nations) como os indígenas são chamados no Canadá. Bem como a língua inglesa, francesa e os dialetos locais. Assim como no Brasil, os indígenas seguem falando a língua materna. Aprender a língua deles não é impossível. Mas no momento não é exatamente o que eu gostaria de fazer.

Alguma situação constrangedora, engraçada que você passou no início? Passei por várias situações engraçadas por aqui. Desde entrar num funeral achando que era uma festa (Como nos Estados Unidos, no Canadá, durante o velório, a família oferece um coquetel para os amigos) e foi num desses eventos que entrei  achando que era uma festa. As pessoas riam, conversavam, comiam num clima amigável. Só sai quando me dei conta que muita gente estava de preto. E isso aconteceu numa igreja.

E você já veio decidida a mudar ? Sim, no Brasil já trabalhei um tempo com artesanato. No começo era um hobby e depois se tornou uma forma de renda e paixão. Antes de mudarmos já pensava em montar meu atelier de costura de artesanato.  Logo que cheguei em Montreal consegui um trabalho como costureira junior em um grande atelier (que inclusive já fechou). Lá trabalhei durante dez meses e tive a oportunidade de costurar coleções de grandes “maisons”e renomados designers de Montreal.  Aprender técnicas de costura e montagem de roupas sob medida foi uma das melhores oportunidades que tive desde que cheguei.  Mas também foi muito desafiador. Ao mesmo tempo que aprendia a costurar, também descobria nuances multicuturais diferentes no meu dia a dia. Isso melhorou a minha comunicação nos dois idiomas. Fiz muitos amigos de difentes nacionalidades e isso facilitou em muito a minha adaptação. Quem se propoe a emigrar tem que estar preparado para mudanças radicais. Sair da nossa zona de conforto não é fácil, mas é possível. 

Qual a sugestão para quem está em dúvida se deve mudar de carreira no Canadá ? 
»
Reflita bem e se questione bastante, mas tenha em mente que vindo para o Canadá você terá oportunidades de trabalho em áreas diferentes. Isso acaba propiciando a possibilidade real para quem quer recomeçar do zero.«
IMPORTANTE:
 
 
 
Nome: Daniela Aquino.
 
♦ De Florianópolis (SC) para Montreal (Quebec) ♦
 
Área de atuação/formação: Letras – Francês

Situação no Canadá: Residente Permanente.

Há quanto tempo você está por aqui ?  Desde 2014.

Motivo da vinda para cá: Escolhemos Montréal por conta dos idiomas, pois eu falo francês e ele inglês e as oportunidades de trabalho pareceram melhores aqui.

Foi fácil para validar o diploma ? Nem tentei.

Alguma situação constrangedora, engraçada que você passou no início? quando fiz meu primeiro estágio em uma creche sofri para entender o francês, é fácil entender quando é o professor falando na sala de aula, o punk é entender os québécois falando. Quando eu comecei pensei…Meo deosss não estou entendendo lhufas do que elas falam  O começo foi difícil, mas a galera foi tão legal, entenderam que eu estava com dificuldade em relação ao idioma, mas que estava disposta a melhorar e aprender.

E você já veio decidida a mudar ? Quando estava no processo de residência permanente no Brasil, eu já pensava em deixar de lado a formação de letras pois percebi que não era com aquilo que eu gostaria de trabalhar. Pensei em várias áreas, até em gastronomia. Depois lembrei que já fui babá na adolescência e gostava daquilo. Sempre gostei de crianças. Na época eu acompanhava alguns canais do YouTube sobre maternidade (assunto que me interessava mesmo não tendo filhos) e descobri sobre o método Montessori na educação infantil.

Chegando em Montréal meu primeiro passo foi me dedicar ao francês e depois ver tudo sobre o trabalho/estudo. Antes de iniciar um curso queria ter certeza, então procurei um voluntariado na área e consegui trabalhar em uma creche comunitária. A experiência foi muito legal ! Lá eu me encontrei. Vi que era aquilo mesmo que eu queria aprender. Foi então que eu procurei um curso de educação infantil que eu poderia fazer com o meu francês de iniciante.

Achei um curso que era metade educação infantil e a outro curso de francês. Foi um curso de assistente de professor. Após 8 meses já pude procurar meu primeiro emprego. No momento trabalho como professora durante o dia numa creche e no período da noite faço um curso em técnico de educação infantil para ser professora qualificada.  Assim terei permissão para atuar nos estabelecimentos públicos da província de Québec. Somente creches particulares disponibilizam vagas para quem não tem formação qualificada aqui em Montréal.

 Qual a sugestão para quem está em dúvida se deve mudar de área ?
»  
Estude o idioma local pois só sabendo se comunicar que você conseguirá oportunidades, recomendo fortemente um trabalho voluntário na área ou perto da área que você gostaria de atuar. Além de se integrar e conhecer o pessoal daqui, você terá uma ideia mais clara sobre a profissão. Pesquise muito sobre o mercado de trabalho na área que você deseja seguir. «

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